Cult of the Lamb surgiu no cenário dos games como uma ovelha negra (com o perdão do trocadilho) em meio a títulos mais convencionais. Combinando elementos de roguelike, simulação de gerenciamento e uma estética adoravelmente macabra, o jogo da Massive Monster, publicado pela Devolver Digital, conquistou jogadores e críticos, gerando discussões acaloradas sobre sua temática, gameplay e, claro, a polêmica da “ovelha satanista”.

O que torna Cult of the Lamb tão fascinante? É a sua capacidade de equilibrar o fofo e o demoníaco, o estratégico e o caótico, o gerenciamento minucioso e a ação frenética. Mas, acima de tudo, é a sua ousadia em apresentar rituais satânicos e sacrifícios em um pacote visualmente atraente e acessível.
Este artigo mergulha fundo no universo de Cult of the Lamb, explorando seus elementos de gameplay, sua narrativa provocadora, sua recepção crítica e, finalmente, respondendo à pergunta que paira no ar: Cult of the Lamb é apenas um jogo divertido ou algo mais?
Cult of the Lamb: Uma Mistura Inusitada de Gêneros
A essência de Cult of the Lamb reside em sua habilidade de fundir dois gêneros distintos: roguelike e simulação de gerenciamento. O jogador assume o papel de um cordeiro possuído por uma entidade misteriosa, incumbido de criar e gerenciar um culto em seu nome.
Na porção roguelike do jogo, o jogador se aventura por masmorras geradas proceduralmente, enfrentando inimigos, coletando recursos e aprimorando suas habilidades. Cada expedição é única, com diferentes caminhos, desafios e recompensas. A morte, inevitável em um roguelike, não é o fim, mas sim um recomeço, com o jogador retornando à sua base para fortalecer seu culto e se preparar para a próxima incursão.
Paralelamente, o jogador deve gerenciar seu culto, construindo estruturas, cuidando de seus seguidores, coletando recursos e mantendo a fé em alta. Os seguidores são a espinha dorsal do culto, fornecendo recursos, realizando tarefas e oferecendo orações que fortalecem o cordeiro. No entanto, mantê-los felizes e leais exige atenção constante, com o jogador precisando atender às suas necessidades, realizar rituais e lidar com dissidências.
Essa combinação de gêneros cria um ciclo de gameplay viciante e gratificante. As expedições nas masmorras fornecem os recursos necessários para fortalecer o culto, enquanto um culto forte fornece o suporte necessário para enfrentar desafios mais difíceis nas masmorras.
O Diabo é Meu Rival? Uma Narrativa Provocadora
A narrativa de Cult of the Lamb é tão intrigante quanto sua jogabilidade. O cordeiro, outrora destinado ao sacrifício, é ressuscitado por uma entidade aprisionada conhecida como “Aquele Que Espera”. Em troca de sua liberdade, o cordeiro deve eliminar os quatro bispos que mantêm a entidade presa, estabelecendo um novo culto em seu nome.
A premissa do jogo, que envolve rituais satânicos, sacrifícios e a criação de um culto, inevitavelmente gerou controvérsia. No entanto, a narrativa de Cult of the Lamb é mais complexa do que aparenta. O jogo explora temas como fé, poder, manipulação e a busca por significado.
Os bispos, os antagonistas do jogo, representam diferentes facetas da religião organizada, com seus próprios dogmas, rituais e seguidores. O cordeiro, ao desafiá-los, questiona a autoridade religiosa e oferece uma alternativa, um culto baseado na devoção a “Aquele Que Espera”.
A relação entre o cordeiro e “Aquele Que Espera” é ambígua. Embora o cordeiro seja inicialmente motivado pela promessa de poder e vingança, ele gradualmente desenvolve um senso de responsabilidade para com seus seguidores. A questão que paira ao longo do jogo é se o cordeiro está realmente no controle de seu destino ou se é apenas um peão nas mãos de uma entidade mais poderosa.
Com um combate fluido bem simples, gerenciamento de recursos e minigames divertidos, o jogo surpreende bastante e, salvo alguns probleminhas pontuais .